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Mostrando postagens de Abril, 2018

O pensamento de Angela Davis: apontamentos iniciais

Emancipação da mulher negra: a missão do Coletivo Di Jejê

*texto originalmente publicado em https://goo.gl/szLszs
Por Think Olga

Nascer com a pele escura não nos torna negros, assim como nascer do sexo feminino, não nos torna mulheres. Tanto a identidade de gênero quanto a identidade racial são construções sociais numa sociedade como a brasileira, profundamente machista e marcadamente racista, onde carregar essas duas marcas não é a melhor tarefa do mundo. A minha trajetória pessoal, até o momento em que escrevo esse texto, é marcada por muita dor, mas também de crescimento e mudanças. E decidi compartilhar essa jornada com todas vocês, leitoras da Think Olga, por que acredito que, dividindo o peso, se torna mais leve e por que, juntas, vamos mais longe. Em 2012, eu entrei no mestrado na PUC-SP, um dos melhores programas de pós graduação em Educação do Brasil. Foi nos elevadores da PUC, que eu entendi o que era ser negra e o valor social que isso tem. Toda minha família é negra, sim é verdade. Meus amigos e amigas de infância t…

“A buceta é minha”: o corpo como sujeito no mundo

Quais são as intersecções possíveis entre feminismo, funk e empoderamento da mulher? A pedagoga Jaqueline Conceição se debruçou sobre essa questão em artigo que será apresentado na Universidade de Columbia
Por Marcelo Hailer
*Texto originalmente publicado em https://goo.gl/vFHDPH

O nome de Jaqueline Conceição circulou nesta semana nos meios de comunicação por dois motivos: primeiro, pela campanha online que ela lançou para angariar fundos para uma viagem aos Estados Unidos, pois o seu artigo “Só Mina Cruel – Algumas Reflexões Sobre Gênero e Cultura Afirmativa no Universo Juvenil do Funk”, que trata da questão de gênero no universo do funk, foi selecionado para ser apresentado em um congresso da Universidade de Columbia, uma referência no mundo. O segundo motivo é que a campanha chegou na cantora de funk Valesca Popozuda, que gostou do projeto e resolveu ajudar Conceição a bancar a sua viagem para a terra do Tio Sam.
Conceição resolveu tratar de um tema que é polêmico nos d…

Por que toda feminista, branca ou negra, deve ler Mulher, raça e classe?

Originalmente publicado em https://goo.gl/F9fvnM


Quando recebi o convite para escrever um texto apresentando o livro Mulher, raça e classe da professora, pesquisadora e militante Angela Davis, senti um frio na barriga. Esse livro é uma das principais referências para pesquisadoras e ativistas do feminismo negro no mundo inteiro. O que dizer sobre uma obra com essa importância histórica para tantas mulheres? Acho que eu gostaria, então, de usar esse espaço para trazer algumas questões importantes para pensarmos juntas. Primeira delas: feminismo não é espaço de disputa de saberes ou etnias. Feminismo é espaço de análise, reflexão e enfrentamento à opressão. E sim, é preciso racializar a discussão nesse campo, porque realidades diferentes exigem enfrentamentos diferentes. Sabe qual é o ponto de partida para pensar essa realidade? A escravidão no Brasil. Sim, a escravidão moldou efetivamente a forma como indivíduos brancos e negros se percebem na sociedade brasileira. Mesmo que o…

O pensamento de Angela Davis: entrevista com a pesquisadora Jaque Conceição

O pensamento de Angela Davis: entrevista com a pesquisadora Jaque Conceição  Por Solon Neto Originalmente publicado em https://goo.gl/uJc7Ee 
Para além dos Panteras Negras: Angela Davis é uma das intelectuais e pesquisadoras mais importantes quando o assunto é racismo. Especialista em sua obra, a mestra Jaqueline Conceição falou ao Alma Preta sobre a teoria da norte americana.

Texto:
Solon Neto
Ilustração: Vinicius Martins

É noite na Suazilândia, país cujas fronteiras se dão com a África do Sul e Moçambique. O local é parte do roteiro do Johannesburg Workshop in Theory and Criticism (JWTC), evento que reúne professores, téoricos, estudantes e ativistas para discutir racismo. Após um dia exaustivo de visitas e debates, pouco antes dos jovens participantes do evento anti-racismo irem dormir, a organização pediu ajuda para carregar malas até o ônibus às 5h, pois sairiam às 6h. Como ninguém se dispôs, a ajuda ficou voluntária. No dia seguinte, durante a viagem, dezenas de present…

SÓ MINA CRUEL: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE GÊNERO E CULTURA AFIRMATIVA NO UNIVERSO JUVENIL DO FUNK.